Lembro-me de ir a correr para casa, depois das aulas do Secundário, para poder estar à vontade, no sossego do meu quarto, a tocar e cantar as minhas músicas. De levar a guitarra para a escola, para o poder fazer no intervalo.
Depois, quando entrei para a Universidade, a mesma coisa: ora levava a minha guitarra e me sentava no relvado em frente ao Bar Novo, ora ia a correr para casa para cantar.
Desde há uns anos para cá, o tempo que passo a cantar tem vindo progressivamente a suplantar o tempo que passo calada (que já era pouco, que sou moça faladeira) e a necessidade de gerir bem este instrumento que carrego no corpo deixa-me muito pouca margem para o canto a gusto. Mas não me faltam ganas de cantar. Pelo contrário. Para quem, como eu, define a sua vida através da música, haverá sempre uma canção para cada sentimento, para cada emoção que experimentamos na vida. E quando assim é, a vontade de cantarmos para espantarmos os nossos males ou aconchegarmos os nossos bens é muita. Mas não posso. Porque amanhã há concerto. Porque ontem tocámos e tenho a voz cansada. Porque estou naquele período sagrado de descanso vocal, entre concertos.
Mas como sou uma rapariga teimosa, mesmo que não possa vocalizar a música que ouço na minha cabeça, canto para dentro. Fecho os olhos, tapo os ouvidos e ponho-me alegremente a cantar para dentro.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Canto bucólico
A Da Damaia:
Sim. Quando ia passar o Verão à terra da minha avó, ali para os lados de Tondela, adorava colher amoras pelos carreiros do pinhal e ir cantando para os meus botões. O bucolismo e o canto são grandes amigos, pelo menos, para mim. E então regados com o calor da canícula, melhor ainda...
Sim. Quando ia passar o Verão à terra da minha avó, ali para os lados de Tondela, adorava colher amoras pelos carreiros do pinhal e ir cantando para os meus botões. O bucolismo e o canto são grandes amigos, pelo menos, para mim. E então regados com o calor da canícula, melhor ainda...
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Amar e Cantar...
Fiquei a pensar no que me perguntaste. E depois lembrei-me de uma coisa que a Callas dizia. Ela dizia que para se cantar, um dos lados do cérebro deveria estar sob total controlo enquanto que o outro lado do cérebro deveria entregar-se totalmente, sem reservas. Não consigo explicar melhor do que isto o que de facto se passa quando canto. Afinal, La Callas era "Divina" não só pela sua voz, mas por muitas mais e acertadas razões.
Quando cantamos, fazêmo-lo para um público. Não interessa quantas pessoas estão nesse público.
Agora, é a vez de citar Amália. Ela dizia que era fundamental gostar de se ouvir cantar para que o que cantasse saisse bem. Por isso, de todas as vezes que cantamos, temos de nos incluir no público também.
Assim sendo, sempre que abrimos a boca para fazer sons com a voz, há público. Nem que esse público seja o próprio cantor. E como há público, há o dever de comunicarmos as intenções musicais e literárias daquela música o melhor que possamos. Há que estar com atenção à técnica, à respiração, à afinação, ao fraseado, a triliões de coisas, enfim,...
E, se tudo correr bem, se estes triliões de coisas estiverem correctos, então, vamos gostar de nos ouvir cantar e aí, damo-nos à emoção da canção, ao abandono de partilhar aquele momento com o público que nos ouve.
E tudo isto, num movimento perpétuo de razão-emoção que dura aquilo que as canções durarem.
Tudo isto, só para dizer que não deverá haver diferença entre um público que desconheço e um público que amo. Digo, não deverá. Mas será que há? Não sei. Por alguma razão que a razão desconhece, não costumo cantar para o meu amado, fazer-lhe serenatas ao ouvido. Das vezes que tentei, o lado do cérebro que deveria funcionar como razão não funcionou muito bem e não gostei de me ouvir cantar.
Então, calei-me...
Quando cantamos, fazêmo-lo para um público. Não interessa quantas pessoas estão nesse público.
Agora, é a vez de citar Amália. Ela dizia que era fundamental gostar de se ouvir cantar para que o que cantasse saisse bem. Por isso, de todas as vezes que cantamos, temos de nos incluir no público também.
Assim sendo, sempre que abrimos a boca para fazer sons com a voz, há público. Nem que esse público seja o próprio cantor. E como há público, há o dever de comunicarmos as intenções musicais e literárias daquela música o melhor que possamos. Há que estar com atenção à técnica, à respiração, à afinação, ao fraseado, a triliões de coisas, enfim,...
E, se tudo correr bem, se estes triliões de coisas estiverem correctos, então, vamos gostar de nos ouvir cantar e aí, damo-nos à emoção da canção, ao abandono de partilhar aquele momento com o público que nos ouve.
E tudo isto, num movimento perpétuo de razão-emoção que dura aquilo que as canções durarem.
Tudo isto, só para dizer que não deverá haver diferença entre um público que desconheço e um público que amo. Digo, não deverá. Mas será que há? Não sei. Por alguma razão que a razão desconhece, não costumo cantar para o meu amado, fazer-lhe serenatas ao ouvido. Das vezes que tentei, o lado do cérebro que deveria funcionar como razão não funcionou muito bem e não gostei de me ouvir cantar.
Então, calei-me...
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Cantar até fartar
Perguntas bem. E o que perguntas é se o cantor ao cantar as mesmas palavras, as mesmas músicas, vezes em conta, ainda consegue emprestar alguma verdade ao que canta.
O que te digo é que ainda não cantei as nossas músicas vezes suficientes para sentir isso. Nem mesmo quando cantava no bar de um hotel, durante ano e meio, os mesmos temas 3 noites por semana, me senti cansada das músicas de então. Pelo contrário. Depois de todas as vivênvias experimentadas de lá para cá, queria era voltar a cantá-las, porque há tanta coisa que eu não transmiti e que agora vejo que as canções pediam.
Se nos dermos às canções apenas como cantores, será difícil manter a frescura. Mas se nos dermos às canções enquanto intérpretes, então, não há limites para o que lhes podemos acrescentar com a vivência. A nossa e a das canções, claro está.
Depois,..., depois, o importante é ter-se bom material. Boas histórias para contar, boas melodias para defender e bons músicos a acompanhar. Assim, não nos fartamos nunca.
O que te digo é que ainda não cantei as nossas músicas vezes suficientes para sentir isso. Nem mesmo quando cantava no bar de um hotel, durante ano e meio, os mesmos temas 3 noites por semana, me senti cansada das músicas de então. Pelo contrário. Depois de todas as vivênvias experimentadas de lá para cá, queria era voltar a cantá-las, porque há tanta coisa que eu não transmiti e que agora vejo que as canções pediam.
Se nos dermos às canções apenas como cantores, será difícil manter a frescura. Mas se nos dermos às canções enquanto intérpretes, então, não há limites para o que lhes podemos acrescentar com a vivência. A nossa e a das canções, claro está.
Depois,..., depois, o importante é ter-se bom material. Boas histórias para contar, boas melodias para defender e bons músicos a acompanhar. Assim, não nos fartamos nunca.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Esse grande senhor, Belafonte
Eu sou fã de Harry Belafonte. Pronto, assumo-me. Pode não ser a coisa mais comum em raparigas da minha idade, mas também, comigo foi sempre assim. Na Faculdade, na altura dos Lamb, Morcheeba, dEUS e afins eu ouvia Janis Joplin, Odetta, Nina Simone, Bob Dylan, Amália, Hermínia Silva e por aí em diante. E assim continuei, sempre ligeiramente desfasada do presente (seria caso para se dizer, "sempre uma casa ao lado", se é que me entendem ...). Não é de espantar, então, que um dos meus cantores de paixão seja o senhor Belafonte, com a sua voz de veludo, a cantar o cancioneiro americano e caribenho. E, para além do seu mérito próprio ainda teve o rasgo de brilhantismo de "descobrir" e apoiar o início de carreira dessa mulher divina que é Miriam Makeba.
Quem nunca o ouviu cantar/interpretar Come Back Liza, Mama Look a Boo Boo, Jamaica Farewell, There's a Hole in my Bucket (com Odetta), The Lion Sleeps Tonight e o incontornável Banana Boat Song, não sabe o que é bom. Tenho dito. E para mais, aqui fica a prova física:
E aqui, com outro grande senhor cantor, Nat King Cole:
Quem nunca o ouviu cantar/interpretar Come Back Liza, Mama Look a Boo Boo, Jamaica Farewell, There's a Hole in my Bucket (com Odetta), The Lion Sleeps Tonight e o incontornável Banana Boat Song, não sabe o que é bom. Tenho dito. E para mais, aqui fica a prova física:
E aqui, com outro grande senhor cantor, Nat King Cole:
Subscrever:
Mensagens (Atom)